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Volkswagen anuncia serviço de transporte similar ao Uber na Europa

A Volkswagen vai lançar serviços de transporte com veículos elétricos em cidades europeias, a partir do ano que vem, em uma tentativa de se tornar um dos líderes nos serviços de transporte sob demanda.

A montadora alemã lançou a nova marca Moia em Londres, na segunda-feira (5). Ela veio se somar às demais marcas administradas pelo grupo, entre as quais Audi, Porsche e Skoda.

Com orçamento de centenas de milhões de euros, a Moia lançará sistemas piloto em duas cidades alemãs no ano que vem e tem planos de se expandir por toda a Europa e, futuramente, aos Estados Unidos, China e o restante do planeta.

Se obtiver sucesso, o novo negócio deve gerar receita anual de dois bilhões de euros anuais, pelo final da década, e criar um novo segmento de transporte –veículos personalizados de transporte a pedido que cobrarão tarifa semelhante à dos transportes públicos.

As montadoras de automóveis estão ingressando no mercado de serviços de transporte como forma de gerar nova receita, diante da redução nos índices de propriedade de veículos e da crescente urbanização.

“Da mesma forma que os clientes precisam de mudanças, o modelo de negócios dos automóveis também precisa mudar”, disse Thomas Sedran, vice-presidente de estratégia da Volkswagen.

“Nas grandes áreas urbanas do planeta, existe uma tendência cada vez mais forte de evitar a propriedade de veículos, e em direção da mobilidade compartilhada on demand”, ele acrescentou.

A mudança no foco da Volkswagen surge em um momento no qual o grupo continua a enfrentar as consequências adversas de um escândalo relacionado a emissões de poluentes por seus motores diesel que a expôs a bilhões de euros em multas e processos judiciais.

A empresa, que quer que 25% dos carros que vende sejam veículos elétricos, em 2025, planeja usar a nova marca a fim de atender à demanda por transportes em grandes cidades de uma maneira que reduza os congestionamentos e a poluição.

O serviço Moia utilizará veículos elétricos especialmente produzidos por outras unidades do grupo Volkswagen, ainda que no lançamento seja provável que os modelos utilizados sejam veículos existentes na carteira de produtos da empresa, como o Volkswagen Transporter.

A Moia começará a operar em cidades por meio de acordos de colaboração com as autoridades locais, e já está conversando com 20 prefeituras na Europa. Em algumas cidades, ela pode substituir serviços de transporte público subutilizados, e que atualmente são deficitários, disse Sedran.

A abordagem contraste fortemente com a do grupo de serviços de carros Uber, que ingressou em novas regiões sem apoio das autoridades locais.

A Volkswagen já tem uma parceria com a Gett, uma companhia de serviços de carros na qual ela investiu US$ 300 milhões no começo do ano. A Gett se expandirá a novas cidades em parceria com a MOIA, e também lançará serviços de “carona” por meio dos quais diversos passageiros usarão um mesmo veículo no percurso para destinos próximos em algumas cidades, anunciaram as empresas na segunda-feira.

Ole Harms, presidente-executivo da MOIA e membro do conselho da Gett, negou que o par corra o risco de fricção ao desenvolver serviços concorrentes. “Somos parceiros”, ele disse.

Ele afirmou que a MOIA quer concorrer com o transporte coletivo em termos de custos, o que abriria o serviço a mais pessoas do que os serviços de carros oferecidos pelos apps atuais. A nova empresa também deve desenvolver outros serviços de transporte, nos próximos anos.

“O mercado de mobilidade como um todo está ainda em estágio inicial”, ele acrescentou. “Ninguém sabe para que lado ele irá”.

A sede da nova empresa será em Berlim, e ela terá fortes conexões com Hamburgo, onde a Volkswagen já está negociando com as autoridades locais. As duas cidades devem ser os primeiros pontos de lançamento para o serviço, no ano que vem.

As demais marcas do grupo Volkswagen levarão adiante seus projetos de serviços, como o compartilhamento de carros. A marca Volkswagen de automóveis de passageiros, por exemplo, anunciou que planeja faturar um bilhão de euros ao ano com serviços, até 2025.

 

Fonte:  Associated Press - PETER CAMPBELL DO "FINANCIAL TIMES" 
Tradução de PAULO MIGLIACCI

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