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A economia cresce bom para ele…

Para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o país pode crescer até 4% no ano que vem — e 3,5%, em média, ao ano na próxima década. A população só sentirá a melhora da situação no primeiro semestre de 2018. Ele, então, pensará em seu futuro.

Para o Ministro Da Fazenda, Henrique Meirelles, a economia brasileira entrou numa rota de crescimento consistente e forte. Na visão dele, mesmo sob um cenário político turbulento e com a incerteza em relação à aprovação de uma reforma da Previdência, o ritmo pode surpreender mais à frente: a taxa de expansão poderia ser de até 4% em 2018, aproveitando a ociosidade existente, que foi gerada pela crise. A população, de acordo com ele, começará a ter uma percepção de melhora da situação do país no primeiro semestre. Esse será justamente o momento em que Meirelles pretende parar para pensar sobre seu futuro — especula-se que ele será candidato à Presidência da República.”Qualquer pretensão vai depender do crescimento do país”, afirma. A seguir, trechos de uma conversa com Meirelles, realizada na sede da Editora Abril, em São Paulo, para uma série de vídeos em comemoração aos 50 anos de EXAME.

Quais os sinais de que o processo de retomada da economia é consistente?

Há algo interessante ocorrendo: o índice de condições financeiras [que considera o mercado cambial, o risco-país e a taxa de juro] do Ministério da Fazenda foi negativo de 2011 a 2016. Ele começou a melhorar no segundo semestre de 2016. Em maio, no episódio de crise, piorou por dez dias, mas voltou à trajetória rapidamente. É uma tendência que não reverterá.O cenário político pode influenciar essa tendência que o senhor descreve?

Não acredito que os movimentos na economia sejam de curto prazo. Supomos que seja aprovada a reforma da Previdência: isso dará mais solidez ao futuro. Mas não há dúvida de que, se ela não for aprovada, o foco vai estar cada vez mais nas eleições. As medidas tomadas pelo governo atual continuam importantes, mas seu efeito vai decrescer com o tempo. Então, as pessoas vão olhar para as eleições de 2018, e isso, sim, vai ser um fator importante.

Qual a chance de aprovação da reforma da Previdência até o fim de dezembro, como o governo deseja?

Há como conseguir uma reforma razoável. Estamos trabalhando intensamente nessa direção. E acho que a reforma tem de ser aprovada até dezembro ou ficará comprometida. É o que todos os parlamentares com quem converso dizem. Fica muito difícil aprovar em 2018. Então, estou fazendo esforço para aprovação ainda em 2017. E se não acontecer? O próximo governo vai ter de enfrentar esse tema como seu primeiro grande desafio.

Muitos dizem que o processo de retomada é lento. Qual será o ritmo?

A economia em 2016 teve uma queda de 3,6%. No boletim Focus, do Banco Central, a previsão de crescimento deste ano já está ao redor de 0,7% e, para o próximo, em 2,5%. Em dois anos, temos um aumento de mais de 6 pontos. Não é uma recuperação lenta, é muito rápida. Mas ela parte da maior recessão da história. Na maior recessão do mundo, a Depressão de 1929, o Brasil teve queda do PIB de 5,3%. Nesta crise, deve ter sido no mínimo de 7,3%, a maior da história. Já estamos crescendo ao ritmo de 2,5%, e o viés é de alta. Pode surpreender para cima. Temos uma retomada impressionante.

Quando a população vai começar a sentir os efeitos da retomada?

Existe uma expressão no jargão econômico em inglês que é uthe feel-good factor*, quando a população se sente bem com a economia. Esse momento ainda não chegou. Devemos ter neste ano a criação de 1 milhão de empregos, mas estávamos com mais de 13 milhões de desempregados. A percepção positiva ainda é localizada. Por exemplo, deverá ser o melhor Natal de muitos anos. Acredito que, no primeiro semestre, começaremos a ter percepção mais acentuada na sociedade de que saímos de fato da crise. Porque, tecnicamente, já saímos, com dois trimestres de crescimento sucessivos, caminhando para o terceiro.

Qual o potencial de crescimento do país nas próximas décadas?

Vamos partir do pressuposto de que o problema fiscal básico esteja resolvido, não haja intervencionismo e nenhum radicalismo. Nesse caso, a previsão de crescimento da economia para a próxima década fica entre 2% e 2,5% ao ano. Nos últimos 20 anos, foi de 3,3%. Por que será menor? Cada vez nascem menos crianças no Brasil, e isso influencia o número de jovens que entram no mercado de trabalho. E o Brasil também foi influenciado por um momento de expansão muito forte no exterior, primeiro com o Japão na década de 80 e depois com a China nos anos 2000. Então, tivemos um período de forte demanda externa, que agora será menor.

É possível aumentar essa taxa de crescimento?

Já foi aprovada uma série importante de reformas: a trabalhista, a do teto de gastos, a da governança das estatais. Com elas, podemos aumentar a taxa de crescimento média do país. Só com o controle das despesas púbicas, levando a uma diminuição da participação do governo no PIB de 20% para 15%, com mais recursos disponíveis para investimento e consumo, podemos aumentar a taxa de crescimento brasileira em 0,7 ponto percentual. Com as reformas microeconômicas, mais 0,7. Estamos falando de ter uma taxa de crescimento potencial de 3,5%, em média, à frente. Mas, no curto prazo, até 2020, o país poderá crescer até mais porque existe uma capacidade ociosa devido à recessão. Isso nos permitiria crescer até 4% nos próximos anos, depois estabilizando ao redor de 3,5% se as reformas forem aprovadas.

O senhor quer ser candidato à Presidência em 2018 para dar continuidade a essa agenda?

Sou candidato a fazer uma boa gestão no ministério e ter como legado a colocação do Brasil na rota do crescimento sustentado. Qualquer pretensão que eu possa ter vai depender do crescimento que o país alcançar. Por isso, preciso estar 100% dedicado à economia. Evidentemente, em certo momento, teremos de olhar para o futuro. Isso acontecerá ao final do primeiro ou do segundo trimestre do ano que vem, quando vou parar para pensar exatamente sobre alternativas para o futuro.

Fonte: Revista Exame

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